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Quarta-feira, Setembro 14, 2005


A gente fica séculos sem postar, reclamam.

A gente posta algo rapidinho, reclamam.

A gente posta algo só para dizer que postou, reclamam.

Aí a gente posta uma tremenda viagem que tivemos naqueles segundos que precedem o sono durante uma insônia e ninguém comenta.

Só mesmo postando para reclamar... =PPP


------ Blah ------
Humpf.

postado por: Tessa 12:35 AM

Sbrubble it!




Terça-feira, Setembro 06, 2005


Geladeiras


Já parou para pensar por que a América foi descoberta? "Porque Cristóvão Colombo acreditava que a Terra era redonda e queria chegar nas Índias pelo outro lado", diria um nerd de plantão.

De fato, é bem por aí que começa o raciocínio. A idéia era chegar nas Índias através de um novo caminho. Novo pq basicamente o que margeia a África já estava sendo traçado por Portugal. O por terra era controlado por algumas cidades italianas (principalmente Gênova, Pisa e Veneza). Essas cidades italianas eram riquíssimas por conta exatamente do comércio com as Índias - agiam intermediando o comércio destas com a Europa. Sua rota era essencialmente de barco pelo mediterrâneo até a Turquia/Israel/arredores* e dali por terra mesmo.

*por questões práticas eu resolvi colocar todas as referências geográficas em termos atuais, ok? Qualquer coisa diferente eu aviso.

Portugal tinha sido o primeiro Estado (como em "País", crianças ;)) a se unificar na Europa. Tinha desenvolvido uma excelente navegação de cabotagem - lembra da propaganda da Varig "550km, pára um pouquinho, descansa um pouquinho, 540km"? Então, por aí. Navegava-se de porto em porto pela costa toda, sem nunca se afastar muito do continente.

Vale dizer que depois que as cidades italianas recebiam os produtos das Índias elas as repassavam a toda a Europa em rotas pelo próprio continente. Só que essas rotas começaram a ficar um tanto visadas por bandidos. Aí entram em cena Portugal e sua navegação de cabotagem. Os portugueses compravam as mercadorias na Itália e as revendiam pela costa da Europa toda, até quase a Dinamarca (eu não disse que eles eram bons nisso? ;)).

Em algum momento os portugueses pensaram: "Ora pois, por que temos de comprar os produtos na Itália para revendê-los pela Europa. Por que nós mesmos não podemos ir direto na fonte, nas Índias, eliminar esses italianos intermediários e faturar um trocado extra?". Porém, não poderiam ir pela mesma rota dos italianos - sabe como é, os italianos poderiam ficar chateados.

A essa altura, já se tinha "mapeado" a costa mediterrânea da África (e até um pouquinho da parte norte da costa atlântica). Imaginaram que a África não devia ser muito grande e resolveram dar a volta na mesma. Daí se chegaria às Índias e o negócio estava feito.

Tá que eles tiverem uns probleminhas no caminho. Por exemplo, a África termina um tantão mais embaixo do que eles pressupunham. Sabem onde fica a Cidade do Cabo (África do Sul)? Fica beeeeeem lá embaixo (mesmo) do continente africano. Se vc olhar no atlas do seu tempo de escola (tb vale roubar dos filhos, se vc os tiver), vc vai ver uma pontinha na parte inferior da África. Muito provavelmente vai estar escrito do Lado "Cabo da Boa Esperança". É o que separa o Oceano Atlântico (à esquerda) do Índico (à direita). O nome antigo é "Cabo das Tormentas", tamanha a dificuldade que os lusos tiveram de passar por ele. Aliás, foi exatamente quando passaram que trocaram o nome para "Boa Esperança" (e sim, é aí que fica a Cidade do Cabo).

Como eles já estavam ocupados com esse projeto e tinham certeza de que um dia iria funcionar (de fato conseguiram depois), recusaram solenemente a idéia de um genovês maluco que queria dar a volta ao mundo para chegar nas Índias. Até pq ainda existia a possibilidade do mundo não ser redondo e eles perderem embarcações no Fim do Mundo.

O tal genovês então foi para o outro Estado (Estado com "e" maiúsculo é País, lembrem-se disso) que tinha se unificado na Europa, pouco depois dos nossos conhecidos gajos. Era a Espanha, que também queria faturar uns trocados com o comércio com as Índias mas não sabia como. Afinal, a rota por terra era dos italianos e a por "baixo" da África tava sendo traçada pelos portugueses. Não tendo muita escolha, resolveram entregar umas três naus (Santa Maria, Pinta e Niña) ao tal genovês - por sinal, Cristóvão Colombo.

Em 1492, ele achou que tinha chegado nas Índias (tanto que chamou os habitantes locais de "índios"). Como se veio a concluir mais tarde, ele tinha tropeçado no continente que hoje chamamos de América (o continente, não a novela).

Uns tempos depois Portugal e Espanha dividiram o mundo em dois com aprovação do Papa no conhecido Tratado de Tordesilhas. Portugal tomou posse do que hoje chamamos de Brasil (que viria a gerar séculos mais tarde uma expressão que foi grosseiramente adaptada por esse que vos escreve para se tornar uma piada infame: "é nóis no blog").

Daí descobriram que as novas colônias tb tinham uma ou outra coisa interessante e que se podia explorá-las. Pensaram: "bem, se a idéia é faturar uma grana com o comércio, bem, eu não preciso exatamente de comércio, posso ficar só com a grana". Lembrem-se que grana naquela época era basicamente ouro (e prata). Se dava para achar isso nas colônias, maravilha.

Daí outros países europeus se unificaram e a Inglaterra fez sua Revolução Industrial. Uns precisavam de matéria-prima e outros queiram os tais produtos manufaturados (ainda não existiam mercados horti-fruti nem as Casas Bahia nesses lugares). Passou-se a fazer comércio com as colônias. Claro que para isso era preciso que houvesse gente de verdade morando e trabalhando lá. Mas trabalhando mesmo, e recebendo por isso, se não não poderiam comprar nada**. Fez-se pelo mundo afora a tal da abolição da escravatura/escravidão (alguma boa alma me explica a diferença entre os dois termos?).


**alguém tem que explicar essa parte para os responsáveis pelos setores de pagamentos de quase todas as empresas do mundo de hoje.

Olhando com carinho, vemos que tanto a idéia de catar outro nas colônias como a de fazer comércio com as colônias pressupõe a existência de, bem, colônias ora bolas. E o que os últimos países europeus a se unificar (Itália e Alemanha) não tinham era isso: colônias. E não tinham por um fato muito simples: o mundo já estava todo (ok, quase todo) descoberto e dominado por outros países europeus (Portugal, Espanha, Inglaterra, Holanda e França, principalmente).

Grosso modo, a Primeira Guerra Mundial começa por conta disso, tanto diretamente quanto indiretamente. A Segunda é grosso modo consequência direta de problemas mal-resolvidos e/ou criados direta ou indiretamente pela Primeira. Pro conta da Segunda, chega-se na Era Nuclear (em resumo: os aliados achavam que os alemães estariam criando a bomba atômica e resolveram criá-la antes. Uma idéia que seria genial se não fosse estúpida.). Por conta de consequências da Primeira (Revolução Russa de 1917), da Segunda (os russos conquistando dos alemães o que seria a Europa Oriental) e dessa Era Nuclear, chegou a Guerra Fria (ok, russos e americanos têm armas nucleares, não se gostam, querem sair no tapa mas não podem pq destruiriam o mundo).

Daí em diante não é muito difícil chegar até os dias de hoje, de Katrina em New Orleans e Mensalão em Brasília. E olhando por alto, vemos que somos nações colonizadas e/ou criadas por europeus. Tudo pq eles queriam o tal comércio com as Índias, certo?

Ao que vc se pergunta: "Tá, mas o que catso tinha nas Índias? E pq diabos vc fala Índias se é só uma Índia que eu conheço?"

Bem, "Índias" pq é assim que os europeus chamavam (sei lá pq). O país Índia surge a partir da colônia Índia que ganhou o nome dessa tal "Índias" no plural mesmo. Vá perguntar a algum Sabe-Tudo (ou ao Google, dá na mesma) a etimologia da palavra "índia" e depois me explica.

Mas o que havia de tão fantástico nas Índias era especiaria. E nossos professores primários/ginasiais nunca nos explicam isso, mas especiarias é um sinônimo para temperos. É, temperos, tais como canela, açafrão, orégano, etc.

"Peraí: nego se deu a esse trabalho tooodo de percorrer Mediterrâneo, cruzar a Ásia, ou navegar por baixo da África, arriscar dar a volta ao mundo, TUDO isso por conta de TEMPEROS?!?!??!?!?!! E pq catso voador alguém iria ter tanto trabalho por alguns ramos de sei lá, alecrim???"

Muito simples: nessa época não se tinha um meio muito eficiente de se conservar a comida. O que acontece se vc deixa fora da geladeira os ingredientes da sua salada, o arroz que sobrou do almoço, o filet mignon que vc deve cozinhar amanhã e o leitinho das crianças? Tudo estraga, certo? No mínimo vão ficar com um gosto horroroso antes de estragarem de vez.

É aí que entram os temperos. Eles tornavam a comida minimamente mais palatável. Em alguns casos até ajudavam a conservar tb, mas a idéia principal era dar um gostinho razoável naquele pedaço de carne que sobrou do boi abatido ontem.

Bizarro? Inusitado? Nunca tinham parado para pensar nisso? Pois pense nisto: se já houvesse geladeiras no século XV, é provável que os europeus, no mínimo, demorassem um pouco mais para sair da Europa.


Notas finais: toda e qualquer referência histórica aqui foi MUITO simplificada e não deve ser utilizada como referência ou como material de pesquisa. Não tenho certeza de quais eram exatamente os temperos principais nas índias - alguns temperos só foram descoberto na América. Esse texto foi escrito por um sujeito cansado e com crise de insônia por conta de uma sinusite mas que gostava muito de história na época da escola (ainda gosta mas já não dedica as mesmas horas semanais ;)).


------ Blah ------
E aí, vai continuar achando que geladeira é só mais um eletrodoméstico? =PPPP

postado por: Tessa 4:03 AM

Sbrubble it!





Tessa

Signo: Aquário

Ascendente: Virgem

Lua: Gêmeos

Sol: Aquário

Chinês: Cão

Nascimento: 02/02/1982

Cidade: Rio de Janeiro - RJ

Sexo: Masculino

Opção sexual: Heterossexual assumido e sem preconceitos

Esportes: Chutação de balde à distância (entre amigos)

Profissão: Ex-várias coisas, agora de volta aos bancos da faucldade

Estado Civil: Quieto

Tipo: O+; alto; cabeludo; não facilmente parametrizável

Filiado a: AMORC, NAUI, SCODB, SBM, Orkut e Blockbuster.

Ouvindo: vozes (desde sempre)

Meio obsessivo-compulsivo; amigo; cavaleiro; cavalheiro; companheiro; um tanto enrolado; estudante de misticismo e de Gödel; gargalhada única; batida na porta inconfundível; discreto quando necessário; como bom aquariano não suporta grilhões de qualquer espécie; não trabalha sob pressão; Absolut; Coca-Cola; Frank Herbert; Pesto; Mousse de chocolate; Menta; Pimenta; Escher; Bach


Presente de um egiptólogo egípcio